"Crescer não é negar o lodo, Mas despertar a real vontade de percebê-lo, É ir além... É purificar-se, ser, sentir, fazer, amar, expressar, ver e perceber, contemplar, unir e expandir!" Anónimo
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
poema intitulado “Por Favor, me Chame pelos Meus Verdadeiros Nomes” do professor budista e vietnamita Thich Nhat Hahn:
pois eu chego todos os dias.
Olhe profundamente; eu chego em cada segundo
para ser um botão num galho da primavera,
para ser um pequeno passarinho, com asas ainda frágeis
aprendendo a cantar em meu novo ninho,
para ser uma lagarta no coração da flor,
para ser uma jóia escondendo-se numa pedra.
Eu ainda chego, para rir e para chorar,
para ter medo e ter esperança,
o ritmo do meu coração é o nascimento e a morte
de tudo o que está vivo.
Eu sou a efemérida metamorfoseando
na superfície do rio,
eu sou o pássaro que, quando chega a primavera,
aparece a tempo de comer a efemérida.
Eu sou o sapo nadando feliz da vida
na água clara do lago,
e sou a cobra, que, aproximando-se
em silêncio, alimenta-se do sapo.
Eu sou a criança em Uganda, de pele e osso,
de pernas finas como bambu,
eu sou o mercador de armas,
vendendo armas mortíferas para Uganda.
Eu sou a garota de doze anos de idade,
refugiada dentro de um pequeno bote,
que atira-se no oceano
depois de ser estrupada por um pirata do mar,
eu sou o pirata,
meu coração ainda não é capaz de ver e de amar.
Eu sou um membro do Politburo
com plenos poderes nas mãos,
e sou o homem
que tem que pagar o débito de sangue
ao meu povo que morre lentamente num campo de trabalho forçado.
Minha alegria é como a primavera, tão quente que faz
as flores desabrocharem-se em todos os passeios da vida.
Minha dor é como um rio de lágrimas, tão cheio
que enche os quatro oceanos.
Por favor, me chamem pelos meus verdadeiros nomes,
De modo que eu possa ouvir todos os meus gritos e risos ao mesmo tempo,
Do modo que eu possa ver que minha dor e minha alegria são uma só.
Por favor, me chamem pelos meus verdadeiros nomes,
De modo que eu possa acordar e assim a porta de meu coração
possa ser deixada aberta,
a porta da compaixão.
“Retirado do livro: O Jogo Cósmico; de Stanislav Grof”
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!
Alberto Caeiro
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
A verdadeira verdade
Descobrem a verdade além dos sentidos os que a merecem por terem vencido o seu natural cepticismo materialista.”
Mahavatar Babají
Jean Yves Leloup)
Prece
Rabindranath Tagore
sexta-feira, 31 de julho de 2009
O regresso para dentro...
Ana Hatherly
“Era uma vez uma ausência que andava em missão de viagem. Quando chegava a uma encruzilhada dava três voltas sobre si própria para perder por completo a noção do caminho por onde viera atingindo assim com regularidade as regiões efémeras do esquecimento. Depois regressava a casa…”
E eu:
Regressava dali, onde o vazio era leve e a ausência chamava e queimava…
Regressava dali onde a cinza consumia, escapando por entre os dedos e deixava no ar um silêncio mágico, o único abraço aqui…
Regressava dali onde cada encruzilhada me esquecia e me abandonava, aqui, nos dias…
Assim me encontrava… Ali onde germinavam as cinzas, florestas densas de outro mundo, indizíveis aqui...
Regressava dali, onde ninguém esperava para resgatar os olhos que se afundavam para lá das reticências…
Regressava dali, onde cada encruzilhada suspendia a morte e resgatava a memória daqui, presa no efémero…
E cada vez me demorava mais nesta ausência… sem paragens… por ali, onde o vento apagava todas encruzilhadas e me devolvia o sal eterno para reescrever o sangue…
E cada vez me demorava mais neste esquecimento que encerrava todas as lembranças…
