quinta-feira, 6 de maio de 2010

Onde está o leito do rio por onde escorre a sede de conhecimento?...

Onde está o leito do rio por onde escorre a sede de conhecimento?...
O que impele a mente a saciar-se?...
Em que montanha nasce a sede?...
De onde vem esta necessidade não inteligente e não vital?... que me inunda e me resgata...
Que fogo é este? que pressente uma frescura definitiva e inquestionável? Como se fosse o seu destino consumir-se a si próprio...
Que raízes são estas que me sugam os sentidos para vertê-los num oceano  maior? onde as palavras se transformam em ondas devorando todo o conhecimento?...
Serão as raízes o mapa que se estende no tempo e no espaço prendendo-me a reinos objectivos ou serão as raízes cordas de um instrumento que grita as melodias da liberdade e da unidade...
E porque me agarro aqui à miragem destes reinos que não são o meu lar?...
Porque eu não me sinto em casa!...
E a mente parece insaciável... Nada aqui me devolve à totalidade!...
Os meus olhos não alcançam, nem as palavras e nem a mente...
Em que gruta se esconde esta convicção profunda de que a certeza e o entendimento da vida não estão aqui...

To be continued...


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Mediante o fogo e a luz...

"Quando o pensamento vive tão-somente de estereótipos, ele interdita a abertura e a receptividade da alma."

Janela de mármore, mausoléu de Salim Chisti em Fatehpur.

"O espírito deve renunciar ao que acumulou – todos os hábitos, tudo em que ele confia para sentir-se em segurança. Só assim ele já não é embaraçado pela rede de seus próprios pensamentos. Ao abandonar a cada instante o passado, o espírito rejuvenesce, nunca perecerá e nunca colocará em movimento a onda que provoca a maré das trevas”.  Krishnamurti

domingo, 4 de abril de 2010

Feliz Páscoa

Quero desaparecer de mim e dos meus atributos
Quero perder todas as minhas forças e sentir todo o poder
Quero perder todos os desejos e perceber a plenitude deste vazio
Quero ser todas as sementes que ainda se escondem nas estrelas
e permanecer eternamente sentindo a presença divina na eminência de tudo...
Quero não querer, assistindo...

terça-feira, 23 de março de 2010

Dom Casmurro - Machado de Assis

"(...) As mãos unidas faziam das duas criaturas uma só, e os olhos continuavam a dizer coisas infinitas, mas as palavras nem tentavam sair da boca, tornavam ao coração como vinham"

segunda-feira, 15 de março de 2010

“Crente é pouco. Sê-te Deus e para o nada que é tudo inventa caminhos teus” 
Agostinho da Silva, Uns Poemas de Agostinho
“Ainda que Cristo nasça mil vezes em Belém e não em ti, estarás perdido”.
Esta sentença foi tirada do Peregrino querubínico de Angelus Silesius, composto de seis livros de máximas, e é um chamado para o despertar interior.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

António Ramos Rosa, Sempre...

“O princípio criador realiza a máxima transformação possível no nosso tempo, dado que cria uma imagem correspondente à realidade primordial e una, ainda não separada pela consciência, uma realidade que só a personalidade criadora é capaz de criar a partir da sua totalidade. Toda a arte tem por função regenerar a existência, o que implica virtualmente a revolução da sociedade.” (“O princípio criador”, in A Parede Azul, 1991)

“Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.” (Quando o Inexorável, Porto, 1983)
 
“Todo aquele que abre um livro entra numa nuvem / ou para beber a água de um espelho / ou para se embriagar como um pássaro ingénuo” (Delta seguido de Pela Primeira Vez, Lisboa, 1996)
 
“Diante da página branca, o poeta é um ser despojado que ignora o que vai fazer, porque nenhuma técnica, nenhum sentimento, nenhuma ética pode predeterminar a eclosão do poema que é uma espécie de relâmpago entre dois pólos (a linguagem e o silêncio ou a consciência e o desconhecido) sem que, no entanto, a palavra atinja a plenitude total, uma vez que ela é apenas o pressentimento de uma palavra absoluta. (...) A poesia é uma invenção livre e aberta mas é ao mesmo tempo uma insurreição vital, a eclosão de insuspeitadas energias que se actualizam na palavra segundo um modo de organização flexível e uma coerência não constrangedora para a sua incoerência essencial.” (“A pobreza da poesia”, in A Parede Azul, 1991)